Lo-Fi quer que você acorde para a realidade com novo single

12:06 PM


Um choque de realidade, todo mundo se virando como pode, e Reality check for a Failed Rocknrolla é a trilha sonora para encarar o momento

Por: Ingrid Natalie (instagram: @femalerocksquad)

A pandemia de COVID-19 está fazendo de fato as bandas exercitarem a criatividade e com isso quem se favorece é o público que tem a oportunidade de ouvir excelentes músicas. Esse foi o caso da banda de rock regressivo Lo-Fi que divulgou o novo single "Reality check for a Failed Rocknrolla" recentemente. A música é uma "voadora" da melhor qualidade trazendo uma enxurrada de riffs e solos alucinantes. Vale mencionar que essa é a primeira composição do Lo-Fi em 2020 e pós-lançamento do 11º registro de estúdio, "Naked Death" (2019).

"Reality check for a Failed Rocknrolla"  foi composta em meio à pandemia. Nasceu por uma linha de bateria de Marcelo, posteriormente musicada por Thiago, que logo enviou ao Paulinho, guitarrista da banda Orgasmo de Porco, para criar uma segunda linha de guitarra. A música aponta um choque de realidade à classe artística durante a pandemia. É tanto um mea culpa como uma reflexão ampla sobre supervalorizar o próprio produto ou, então, vende a alma por status. É, ainda, uma crítica ao mercado predatório.

A novidade também nos apresenta o baixista Velhote que se uniu a Thiago (vocal e guitarra) e Marcelo (bateria) que formaram a banda em 2008 na cidade de São José do Campos – SP. O power-trio carrega em seu DNA influências do punk, hardcore e um toque de rock setentista, totalmente perceptível em suas composições. 

O lançamento do single com exclusividade pelo Bandcamp é uma soma de fatores, alguns bons, outros nem tanto. A Lo-Fi, desta vez, teve problemas com grandes plataformas e, assim, escolheu por realizar o lançamento da música só pelo Bandcamp, que tem performado diversas ações no decorrer da pandemia para auxiliar artistas e selos independentes, sentindo na pele o que esta monopolização das plataformas tem trazido e reafirmando que esta questão está bastante evidente e poucos estão notando a realidade.

Leia a nossa entrevista com Marcelo e Thiago que nos contou com detalhes sobre a gravação do novo single e do que eles esperam para o futuro da banda. Confira:

FRS: Lo-Fi já traz em sua discografia 11 registros de estúdio. Qual foi o momento mais marcante da carreira até hoje?

Thiago: Pra mim foi a gravação do disco com a banda Days of Hate, que deve ser lançado num futuro próximo. Músicas feitas na hora, duas baterias, noise com rock regressivo. Quem ousou fazer isso? Quando o Samuel começou a berrar, eu quase chorei.

Marcelo: Infelizmente, o momento mais marcante pra mim da banda foi em meados do ano passado onde o Rogério, que era nosso baixista, resolveu deixar a banda. Não é muito fácil se desvincular de um “casamento” de mais de 10 anos, então é algo que estamos nos readaptando até hoje.

FRS: A formação atual conta agora com o baixista Velhote, como aconteceu a integração dele à banda?

Marcelo: No final do ano passado fui a um show do Leptospirose no Hangar 110. Sempre que nos encontramos pelas estradas da vida, como bons amigos que somos, nos juntamos pra jogar conversa fora e falar de som. Eu falei sobre a nossa situação da banda que estávamos sem baixista até então e, quando eu estava indo embora, o Velhote me chamou de canto e falou que topava dar uma força pra gente na medida do possível. Fiquei bastante feliz porque além de ser um ótimo baixista ele como todos do Leptos sempre foram grandes amigos nossos, liguei pro Thiago e ele ficou bastante animado também, isso nos confortou bastante!

Thiago: Ensaiamos uma semana antes do primeiro e único show desse ano e ele arrebentou, naturalmente. Ele é embirrado igual a gente mesmo, sempre nos demos bem e trocamos bullying,  então foi fácil.

FRS: Vamos falar do novo lançamento "Reality Check For a Failed Rocknrolla". Como foi o processo de composição e quais as principais inspirações para o single?

Marcelo: No começo da pandemia, eu estava buscando formas de tentar me expressar musicalmente gravando algumas baterias para amigos, uma delas mandei pro Thiago e ele acabou fazendo a melodia por cima e mandando pro Paulinho (ODP). Foi um processo que nunca tínhamos experimentando e ficou legal.

Thiago: Surgiu com uma linha de bateria que o Marcelo me mandou. Falando da nossa dinâmica, foi totalmente inverso do que sempre fizemos. Foi da hora. A letra já estava 80% pronta e só adaptei pra música. Achei que o momento era oportuno para ela.

Ouça a música: 

FRS: A música também conta com a participação de Paulinho, da banda Orgasmo de Porco. Como foi trabalhar com ele e o que o músico mais agregou para o single?

Thiago: Paulinho é quase um integrante da banda. Já fez show com a gente tocando guitarra e baixo. Quando eu fiz a música perguntei pra ele se ele queria compor uma segunda guitarra. Ele topou na hora, gravou pelo celular e mandou pelo whatsapp. E foi o que usamos na mixagem. Quem toca pra caralho pode gravar até naquele “Meu primeiro Gradiente” que fica bom. É inevitável.

FRS: Marcelo comentou recentemente que "grandes músicos têm cada vez mais deixado plataformas digitais e procurando novas formas de manter sua integridade artística e ainda assim democratizando seu trabalho para os fãs”. Como a Lo-Fi tem lidado e se adaptado com essa nova forma de consumir música?

Marcelo: Essa crítica foi um reflexo imediato de um problema que passamos na pele (pela milésima vez o Spotify cagou um lançamento nosso) e que eu já estava lendo sobre isso já há algum tempo, o monopólio de grandes distribuidoras estão engolindo os pequenos artistas da mesma forma predatória que a indústria da música o fez (e ainda faz) através de veículos de massa e engajamentos, fazendo com que pequenos se esgotem até desistirem e finalmente sumir. O meio acabando com o próprio meio, o suicídio do rock.

Na verdade não podemos fazer muita coisa a não ser questionar e mostrar que os caminhos que são tomados pelos que trabalham neste meio podem ser um caminho predatório e difícil de voltar atrás. Com esta crítica ganhando força as pessoas podem repensar suas formas de consumo, pegando direto da fonte, e então podemos nos readaptar.

FRS: Para finalizar, o que vocês projetam para Lo-Fi no ano de 2021?

Thiago: Não sei ainda

Marcelo: Absolutamente nada. A gente como banda nunca foi de planejar muita coisa e a pandemia ainda veio pra reafirmar que muitas vezes não adianta fazer planos. Mas muito provavelmente continuaremos fazendo o que sempre fizemos, gravar, compor e, se for possível, tocar pra quem estiver afim de nos ouvir.

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