Pedro se apresenta ao público brasileiro com o lançamento do EP 'Zam'

12:07 AM


 O disco marca a estreia solo do artista catarinense e evidencia seu amadurecimento como músico

Por: Ingrid Natalie (twitter: @ingridnatalie)

Quando se pensa em folk rock, pelo menos no que se refere a sua pureza, podemos sentir uma sonoridade bastante orgânica e visceral. O músico catarinense Pedro transmite essa exata essência. Ele tomou uma significante decisão ao se mudar da sua cidade natal no interior de Santa Catarina para Dublin no ano de 2015. A capital irlandesa inevitavelmente se transformou em uma grande inspiração e veículo para mostrar de forma comprometida sua música autoral.

A mistura do seu delicado timbre de voz e violão encantou o público. Não levou muito tempo até que suas composições se tornassem "Zam" (2016), o tão aguardado primeiro registro de estúdio. O disco traz cinco faixas escritas em português e inglês com um som totalmente folk-rock e uma pitada de pop.

Na primeira faixa, “I Might Not Be Around”, aparece o anseio de um pássaro flamejante em quebrar as correntes que o mantém preso ao chão. E, ainda que constatado em “Ciranda” - ‘um pássaro engaiolado não resiste ao vento’ - este anseio ainda é tímido e apreensivo nas canções “Brinde” e “Wrong”. E apenas ao final no EP, com “The Ballad of a Dead Man”, a segurança das horas na cama e a negação são postas enterradas para que as incertezas e liberdade possam renascer.

Nossa equipe entrevistou Pedro com exclusividade. O músico nos contou sobre seus primeiros passos na música, sua temporada em Dublin, a estreia com o lançamento do EP e seu futuro. Leia: 

FRS: Primeiramente, o que te motivou a estudar música e qual foi seu primeiro instrumento?

Pedro: No começo, serviu como forma de terapia. Eu era uma criança muito quieta e minha mãe me colocou no coral e na fanfarra do colégio. Uma vez imerso nessas atividades, me encantei e fui amadurecendo o gosto e os objetivos. Meu primeiro instrumento foi a flauta doce. Tive aulas pra poder fazer parte da fanfarra e assumir um instrumento de sopro. Hoje devo lembrar como tocar umas duas músicas, no máximo. Só fui descobrir o violão com quatorze.

FRS: Como você se descreveria como compositor?

Pedro: Um professor de literatura uma vez me disse que você só é bom escrevendo aquilo que conhece. Eu tento fazer isso: Transformo a minha vivência em canção. Gosto de usar o comum e dar um significado particular. Acredito que usando esses temas, eu me aproximo de quem ouve as minhas canções, como se fosse a minha voz contando uma experiência do ouvinte.

FRS: Você possui muitas referências de folk-rock. Como você se interessou pelo estilo musical e quais artistas são suas principais inspirações?

Pedro: A culpa é do cinema, tanto por eu conhecer o folk como por eu querer ser músico. Conheci Tom Petty And The Heartbreakers e Ryan Adams numa trilha sonora. De início, me interessei mais pelo último e ouvi tudo que pude dele. Nisso, engatei com No Direction Home e Não Estou Lá pra realmente prestar atenção no Dylan. A trilha do segundo é feita por vários artistas fazendo versões de clássicos dele, é maravilhosa. Por último, Apenas Uma Vez. Dele me veio o interesse não só pela música do Glen Hansard, mas de outros compatriotas como Damien Rice, Bell X1, Van Morrison e, o mais recente, Hozier. Juntando George Harrison, Tim e Jeff Buckley, tenho meu dream team. De artistas brasileiros, sou apaixonado pelo trabalho do Milton Nascimento e Lô Borges no Clube da Esquina, pela gaúcha Cidadão Quem, Los Hermanos (o disco do Amarante é sensacional!) e me interessei pelo violão por conta do Nando Reis. Sempre esqueço alguém, mas é por aí!

FRS: Você passou uma temporada em Dublin. Pode nos contar mais sobre a experiência? E de que forma a cidade impactou nas suas composições?

Pedro: Foi durante o mês de fevereiro do ano passado. Eu tocava na rua de tarde pra faturar uns trocados e à noite apresentava canções autorais nos pubs. Foi muito caloroso, troquei muitas ideias com músicos do mundo todo que estavam de passagem pela Irlanda. Uma das coisas que mais me impactou foi o senso de comunidade da cena artística. Todos se ajudam e garantem o palco para o próximo, é incrível. 

"O artista e os fãs podem coexistir por aí, mas é na realidade que o que ambos esperam acontecer, de fato, acontece", Pedro.
FRS: A aceitação positiva do público irlandês de certa forma surpreendeu você?

Pedro: Sim! Foi a minha primeira experiência em palcos estrangeiros e não poderia ter sido melhor. Pensei que pudesse haver uma certa resistência por conta da nacionalidade, mas nunca me aconteceu. Pelo contrário. Dublin é muito cosmopolita e a procura por novidade é grande. 

FRS: Neste ano foi lançado "Zam", o seu EP de estreia. Como foi o processo de produção do material?

Pedro: Parte dele foi escrito durante a viagem, outra parte aqui no Brasil. Eu comecei com canções como "The Ballad Of A Dead Man" e "Brinde", as outras chegaram depois, sendo Ciranda, uma parceria, a última. Quando estava com metade do EP escrito, entrei em contato com o Marco (Bueno, da Não Ao Futebol Moderno) para ele se encarregar de gravar e produzir no segundo semestre do ano passado. Com a escolha do nome do EP (Zam significa"calma"), pude pinçar as composições que falavam sobre isso. O tema do EP é essa calma sendo buscada em vários aspectos da vida.  

FRS: Quais as características da música “I Might Not Be Around” que a levaram a ser escolhida como primeiro single?

Pedro: Nessa de querer contar uma busca, senti que essa faixa é o início da jornada. Você se sente fora do lugar, sabe que alguma coisa não está como devia e vai atrás de respostas. É a inquietação que te faz procurar a paz de espírito.

Ouça "(I Might Not) Be Around": 


FRS: Na sua opinião, quais são os principais desafios de um artista solo no Brasil?

Pedro: Acho que o principal desafio é encontrar seu público. A internet corta muita distância entre ambos, mas ao vivo é que se cria um vínculo real com todos aqueles que querem absorver a sua música. Reconhecer, cativar e manter o público é uma parte vital se você quer uma carreira. Se você tem fãs, tem os melhores divulgadores: A boca entusiasmada chama a atenção do próximo e por aí a sua música segue. Não interessa qual o número de seguidores você tem no instagram ou quantas vezes seus snaps foram vistos, você precisa de toda essa gente na frente do palco, não na frente do computador. O artista e os fãs podem coexistir por aí, mas é na realidade que o que ambos esperam acontecer, de fato, acontece.

FRS: Quais serão os próximos passos de Pedro?

Pedro: Pretendo gravar um álbum completo ainda esse ano, ando compondo para isso. E quero passos para um palco próximo de todos que estão lendo essa entrevista!

Ouça "Zam" na íntegra:



Onde encontrar Pedro:

"Zam" também está disponível:

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