Alarmes: o rock de Brasília bem representado

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Banda Alarmes lança primeiro álbum e reforça a nova geração do rock feito em Brasília

Texto: Ingrid Natalie (twitter: @ingridnatalie)

Aborto Elétrico, Legião Urbana, Capital Inicial, Plebe Rude e Raimundos são nomes de algumas bandas que fizeram de Brasília a cidade do rock através de seu som instigador, forte e revolucionário especialmente no decorrer das décadas de 1980 e 1990. Após um período ofuscado por bandas menos questionadoras percebemos uma nova onda de grupos que colocam a capital federal de volta ao mapa. A banda Alarmes integra esse frescor do rock nacional. O trio brasiliense conta em sua formação com os músicos Arthur Brenner (voz e guitarra), Lucas Reis (baixo) e Gabriel Pasqua (bateria).

No dia 9 de abril eles lançaram o álbum de estreia intitulado "Em Branco" durante apresentação no festival Rock Sem Fronteiras. O disco, produzido por Adriano Pasqua, possui 12 faixas e aborda temas como conflitos internos e relacionamentos humanos. São notórias as referências de Interpol, Queens of the Stone Age, Royal Blood e Arctic Monkeys na sonoridade da banda. Vale citar que o baterista Gabriel Pasqua viveu por seis anos na Inglaterra, sendo essa a principal razão deles terem o rock britânico como principal fonte inspiradora.

Nas faixas “Cada um Por Si”, “Mas Não Sei” e “Incerteza de um Encontro Qualquer”, os encontros casuais e sensações que dois estranhos podem despertar e vivenciar são representados com suavidade e certa sensualidade. Em “Espinhos e Flor”, “A Carta” e “Gruta”, as dores e as delícias do amor caminham juntas e se consomem em versos quentes. O lado mais cauteloso da entrega em um relacionamento aparece em “Culpado” e “Pouco a Pouco”. Já a inevitabilidade do adeus está em “Tempo Bom” e na música que encerra o álbum, “Não Quero Mais”. 

Veja nossa entrevista com uma das bandas que já está garantida como um dos nomes capazes de simbolizar o rock de Brasília à altura de sua história.

FRS: Como vocês se conheceram e decidiram formar a banda?

Alarmes: O Biel e o Lucas se conheceram no ensino médio e resolveram fazer uma banda, chamando mais dois amigos pra completar o som. Em 2014 o Arthur entrou no lugar do Rodrigo (antigo vocalista) que havia saído da banda. Alguns meses depois o Hermano (guitarrista) também saiu e a formação se manteve somente entre nós três (Arthur, Biel e Lucas). Hoje não temos mais pretensão de alterar a formação da banda. 

FRS: Vocês lançaram recentemente o álbum de estreia intitulado "Em Branco". Quanto tempo durou a produção e porque o registro recebeu esse título?

Alarmes: O período de produção durou aproximadamente um ano. Desde composições à produção e gravação das faixas. O título "Em Branco" se deve ao fato de estarmos lançando o nosso primeiro trabalho, e de não sabermos ao certo qual o impacto que isso causará nas pessoas. "Em Branco" é um espaço que queremos preencher nas pessoas que se dispuserem a ouvir o álbum e abraçarem todo o sentimento que queremos passar. 

A capa do álbum faz referência direta aos efeitos do tempo sobre os relacionamentos amorosos
FRS: O que foi mais árduo durante o processo de composição do álbum? E como funciona o processo de composição para vocês?

Alarmes: Durante o processo de composição não tivemos grandes dificuldades. Nós escrevemos de uma maneira muito tranquila, sem muita pressão por conta do tempo, é sempre algo muito espontâneo e natural. Normalmente o Arthur traz as letras com melodias pra irmos trabalhando a instrumentação em conjunto de acordo com o que cada um se sente mais confortável em fazer, ajustando os detalhes na pré produção pra gravação.

FRS: "Em Branco" possui 12 músicas. Na sua opinião, qual faixa define com mais precisão a proposta da banda?

Alarmes: A faixa “Incerteza de Um Encontro Qualquer” resume bem a proposta do álbum e também capta a energia das nossas apresentações ao vivo. Foi a última música que terminamos na fase de composição do “Em Branco” e temos um carinho enorme por ela.

FRS: O primeiro show de promoção do álbum aconteceu no dia 9/4 em Brasília. Qual impacto que a cidade causa na sonoridade da banda?

Alarmes: Acreditamos que a cidade em si não influencia na nossa sonoridade. Na maioria das vezes não compomos levando em conta onde estamos. Podemos dizer que o que toca nas festas, nas ruas, nos carros e nas casas de amigos acaba de alguma forma entrando na nossa cabeça e aparecendo na hora da composição, mas nada relacionado diretamente a Brasília.

FRS: Ainda falando sobre Brasília, vocês fazem parte de um novo grupo de bandas que colocam a capital federal de volta na representatividade do rock nacional. O que vêm causando essa onda de novas bandas brasilienses?

Alarmes: Banda boa nunca faltou em Brasília. Moramos aqui há bastante tempo e sempre encontramos nos bares, nas casas de show e até nas ruas bandas incríveis com músicos muito bons. Essa onda de novas bandas de Brasília que vem aparecendo se deve à união da cena da cidade. Hoje em dia é muito comum ver as bandas trabalhando juntas, produzindo eventos juntas e uma ajudando a outra no que for possível, é assim que tem que ser. É um prazer enorme fazer parte dessa cena tão talentosa. Temos muito que agradecer ao Scalene também por todo o trabalho feito ao longo dos anos e pela ótima campanha no Superstar do ano passado (2015), que virou os holofotes pra cá.

FRS: Para finalizar, por que as pessoas devem ouvir a banda Alarmes e quais os planos para o restante de 2016?

Alarmes: Nossas composições buscam colocar para fora sentimentos bastante profundos e, ao ouvir Alarmes, as pessoas têm um gosto do que é comum a todos, mas não tão evidente assim em nossas rotinas, além de experienciar a sonoridade espontânea que abrange diferentes estilos do rock. Em 2016, o plano é divulgar o CD em todo o Brasil e lançar clipes de algumas músicas do álbum.


Ouça o álbum "Em Branco" na íntegra:


Onde encontrar a banda:
Instagram: alarmesoficial

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