Shadowside elevando o heavy metal brasileiro

2:09 PM

"Inner Monster Out" nos abriu muitas
portas e nos levou muito mais longe
É muito bom ver bandas brasileiras deixando marcas pelo mundo a fora e Shadowside está nesse grupo e vai cada vez mais engrandecendo o heavy metal brasileiro no exterior. O grupo recentemente ganhou na categoria melhor álbum "Heavy Metal / Hardcore" por seu novo trabalho "Inner Monster Out" (2011) em uma das mais cultuadas premiações da música o  "11th Annual Independent Music Awards" e destacando que foi a única banda da América do Sul a ser indicada.

Esse ainda não foi o único feito do quarteto santista em 2012. Eles chegaram a  26° posição nos discos de Rock/Metal mais vendidos no Japão através de ranking da revista 'BURRN!' seguido por nomes como Nightwish e Evanescence, na terra do Tio Sam eles alcançaram a 9º posição pela CMJ e voltaram a excursionar pelo Brasil com novo baixista Fábio Carito. Ufa! Quem nos conta mais sobre este momento importante para o Shadowside é a própria vocalista Dani Nolden. Confira a entrevista abaixo:




FRS: Para você como é a sensação de voltar a excursionar pelo Brasil depois de alguns anos longe?

Dani Nolden: É algo sensacional! Pode parecer uma tentativa barata de agradar ao público brasileiro falando esse tipo de coisa, mas eu juro que digo isso com a mais pura sinceridade. Tocar em "casa" faz falta de verdade. Todo mundo quer e gosta de tocar no seu próprio país, especialmente quando a recepção dos nossos fãs é tão calorosa. Nós sempre valorizamos o nosso público daqui e sempre tivemos vontade de tocar mais por aqui. Porém, nós decidimos que não comprometeríamos a qualidade da nossa apresentação e que só tocaríamos onde e quando pudéssemos dar ao público o nosso melhor. Os organizadores de shows estão ficando cada mais conscientes de que o underground não é mais sinônimo de coisa mal-feita. Infelizmente, ajudar a profissionalizar a cena e sempre exigir as condições mínimas para que o ingresso pago pelo fã valesse a pena nos forçou a fazer shows em número bem limitado no Brasil, porém estou extremamente feliz em ver como as coisas estão mudando. Vejo as pessoas lotando as casas, chegando a esgotar os ingressos e saindo contentes, satisfeitos, com um sorriso de orelha a orelha. Não existe algo mais gratificante que tocar no seu país e ver um fã feliz assim.

FRS: Depois de seis anos a volta pra São Paulo tocando no Carioca Club no dia 21/07 foi um dos momentos mais importantes para a banda neste ano?

Dani Nolden: Sem sombra de dúvida! Quem nos acompanha sabe da nossa vontade de tocar em São Paulo. Claro que queremos tocar em todas as cidades, mas nós simplesmente não conseguíamos tocar na capital paulista, sempre por diversos problemas... quando tudo estava certo, quando o organizador era sério com uma casa estruturada, nós não tínhamos data ou a data que tínhamos já estava ocupada com outro evento. A solução que encontramos foi unir nossos planos ao show dos canadenses do The Agonist, que já estavam programados para o mesmo dia no Carioca Club. Eu sabia que tínhamos vários fãs ansiosos por esse show, mas não tinha certeza de que conseguiríamos unir o público das duas bandas, pensei que talvez a maioria presente estivesse lá para ver The Agonist, porém percebi pelo número de pessoas que cantava junto que quem nos acompanha também estava lá. Foi uma sensação incrível, fomos muito bem recebidos e foi uma festa maravilhosa.

Shadowside no Carioca Club em 21/07/2012

FRS: Inclusive neste show o público foi unânime elogiando sua voz, você tem alguma preparação antes de subir no palco?

Dani Nolden: Não, mas eu deveria ter. Eu sei que deveria ter (risos). Eu estou estudando na Berklee e estudei tudo isso... vou ensinar tudo isso quando começar a dar aulas e fazer workshops. Mas eu sou extremamente preguiçosa. Cheguei a dizer isso para a minha professora e ela me agradeceu pela honestidade (risos). A única coisa que procuro fazer é descansar bastante e me manter bem hidratada. Descansar bastante é algo praticamente impossível em turnês... na verdade, pude dormir apenas durante duas horas na van antes do show em São Paulo, pois havíamos tocado em Bauru um dia antes e não peguei no sono de jeito nenhum após o show. Não dormir atrapalha e muito, mas o público gritando sempre dá aquela energia extra que falta quando você não tem uma boa noite de sono. Vou me policiar para fazer os aquecimentos corretos no próximo show... vamos ver se faz diferença (risos).

FRS: "Inner Monster Out" foi considerado um dos melhores discos de heavy metal em 2011 e trazendo boa repercussão de vendas no mercado asiático. Você se considera essa a fase mais privilegiada do Shadowside?

Dani Nolden: Sim, o "Inner Monster Out" nos abriu muitas portas e nos levou muito mais longe. Além das vendas no Japão, onde entramos entre as 30 bandas mais vendidas no país de acordo com a revista Burrn!, a frente de bandas como Evanescence, Nightwish, Lamb of God e Shinedown, chegamos na 9ª posição entre as bandas de Metal e Hard Rock mais tocadas nos Estados Unidos de acordo com o CMJ, além de termos ficado entre as 15 mais tocadas durante 6 semanas. Nenhum de nós esperava tudo isso. Já foi uma surpresa termos sequer entrado entre os top 40 no CMJ, quando estreamos em 35º consideramos que estava de bom tamanho para nós, afinal era a primeira vez que sequer aparecíamos nessa lista. Então quando subimos para os top 15, achei que alguém estava cometendo algum erro, porém comecei a acreditar quando continuamos por ali (risos). Acho que o álbum está funcionando bem assim, porque conseguimos conquistar novos fãs sem afastar nossos fãs antigos. Nós não mudamos de direção, não esquecemos nossas raízes, apenas ficamos um pouco mais pesados e bem mais maduros. A grande maioria dos fãs que havíamos conquistado com os álbuns "Theatre of Shadows" e "Dare to Dream" consideram o "Inner Monster Out" como nosso melhor trabalho até hoje e muita gente que não gostava de nós antes passou a prestar atenção no que estávamos fazendo. Acredito que esse seja o nosso "segredo". Fizemos o que realmente gostamos, algo em que acreditamos e que estávamos buscando desde o início do Shadowside.

FRS: Vocês pensam em um novo álbum para 2013 após a turnê européia?

Dani Nolden: Sim, ainda não começamos a desenvolver as ideias, mas esse é o plano. Tocar bastante aqui no Brasil, depois fazer as turnês no exterior e então voltar para fazer o novo álbum. Acho que só lançaremos em 2014, pois o "Inner Monster Out" acaba de ser lançado na Europa e Estados Unidos, então teremos muita turnê para fazer por lá depois que os shows terminarem por aqui, portanto mesmo que o álbum esteja pronto, acredito que só teremos tempo de gravá-lo no final de 2013.

FRS: Claro que não poderia deixar de perguntar em relação ao "Metal Open Air", um triste episódio para o heavy metal brasileiro. Em um país que revelou nomes importantes como Krisium, Sepultura e o próprio Shadowside, na sua opinião o que falta para a valorização do heavy metal no nosso país?

Dani Nolden: Eu não acho que o heavy metal no Brasil seja desvalorizado... não é desvalorizado pela imprensa especializada e depois desses shows que fizemos aqui no país, com certeza não é desvalorizado pelo público. O que existe é uma falta de exposição em massa e heavy metal no Brasil não é levado a sério pela grande mídia. Você vê cantores de metal em programas como "Ídolos" na Suécia. Metal toca em rádio mainstream por lá. Aqui, se você chega a uma audição de um programa como esses cantando metal, por melhor que você cante, eles vão olhar pra sua cara e falar "rock pauleira, né? Metal na veia... canta nada em português, não?" Então, heavy metal aqui simplesmente não está na cultura do país. O que temos que fazer é ter certeza que nós, músicos e bandas, façamos o underground ser o mais profissional possível. O público merece assistir shows em boas casas, com bom som, organizadores de shows que respeitem o trabalho das bandas e o ingresso dos fãs. Porém, é nossa responsabilidade fazer com que isso aconteça. Não adianta exigirmos respeito do promotor se aceitamos tocar em cima de um engradado de cerveja por amor ao metal. Amor ao metal me faz querer fazer o melhor show possível em respeito ao público e não tocar qualquer coisa só para dizer que o show aconteceu. A única coisa boa que saiu do Metal Open Air foi ter ensinado a todos o que não fazer. Ninguém quer fazer um evento igual a esses, então está todo mundo mais cuidadoso agora. Falta muito pouco para que as coisas aqui sejam tão bem organizadas como são na Europa e não estamos diferentes dos Estados Unidos no momento. Nunca tivemos tantas bandas boas e um público tão engajado, interessado em seguir as bandas. É sem dúvida o melhor momento do metal brasileiro!

A equipe do FRS agradece a Dani Nolden pela simpatia e paciência por nos atender e a The Ultimate Press pela oportunidade!

Aonde encontrar Shadowside:
http://www.facebook.com/shadowsideband
http://twitter.com/shadowsideband
http://www.youtube.com/user/ShadowsidePress7
http://www.shadowside.ws


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