Supercombo transforma caos em identidade em Caranguejo
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| Crédito: Jorge Daux (@jorgedaux) |
Entre contrastes sonoros e camadas emocionais, a Supercombo entrega um disco que encontra coesão justamente no inesperado
Texto: Ingrid Natalie (instagram: @femalerocksquad)
Supercombo lança o álbum Caranguejo nesta sexta-feira, 10 de abril. O novo registro de inéditas dá continuidade à primeira parte divulgada em 2025 e sucede "Remédios" (2023). O lançamento é pela gravadora Deckdisc e reúne oito músicas inéditas, guardadas desde a chegada da Parte 1, e conclui o arco criativo de um trabalho pensado desde o início como um disco dividido em dois tempos.
INÍCIO MOSTRANDO AS VÁRIAS FACES DA SUPERCOMBO
O título, segundo a própria banda, surgiu ainda na pré-produção e a partir de um comentário bem-humorado sobre músicas que parecem seguir em direções opostas — ideia que se reflete no disco. Repleto de texturas e camadas, "Caranguejo" transita entre diferentes caminhos sonoros sem perder a coesão e a coerência de sua proposta.
A abertura com “Transmissão” já chega com o pé na porta, guiada por riffs de guitarra incisivos e um vocal mais firme, flertando com o gutural. Em “Piseiro Black Sabbath”, a banda aposta em uma combinação curiosa e eficaz, fundindo o peso característico do rock com sutis referências à música nordestina, criando um contraste que soa tão inusitado quanto coeso.
Já “Hoje Eu Tô Zen” mantém a densidade sonora, mas encontra seu diferencial no refrão: ali, o narrador expõe sentimentos reprimidos, transformando o desabafo em um gesto de libertação — um contraste interessante entre a carga instrumental e a leveza quase catártica da mensagem.
IDENTIFICAÇÃO COM ÁLBUNS ANTERIORES
Faixas como “Alento”, “Testa”, “Nossas Pitangas” e "O Alfaiate" resgatam a essência dos primeiros trabalhos da Supercombo, apostando em um indie rock eficiente, guiado por letras pessoais e reflexivas que criam identificação imediata com o ouvinte.
SEGUNDA PARTE COM PREDOMINAÇÃO DA GUITARRA
“Combustão” funciona como ponto de conexão entre as duas partes do álbum. Em pouco mais de um minuto, a faixa assume a forma de um bolero rock enxuto, preparando o terreno para a chegada de “Deixa A Maré Te Levar”, que surge densa, com guitarras marcantes e uma bateria de caráter hipnotizante. Deve ter sido propositalmente colocada antes da faixa "Peixe", uma balada rock com melodia que fica presente na cabeça.
Em “Redes Antissociais”, a Supercombo explora a dualidade entre o real e o virtual, refletindo sobre como essas camadas podem servir tanto como refúgio quanto como disfarce — um espaço onde identidades são moldadas para sustentar aparências e manipular percepções. Tudo isso alinhado a uma sonoridade forte e vocal gutural de Léo Ramos. Por outro lado, "Nós" surge como uma resposta ao comportamento da faixa anterior e como uma afirmação de abraçar nossa verdadeira face.
NOSTALGIA EM "COMO SE FOSSE ONTEM"
“Como Se Fosse Ontem” explora a nostalgia a partir de referências que atravessam a adolescência da própria geração da Supercombo, como locadoras, lan houses e noites diante de uma tela. Ainda assim, a faixa evita tratar essas memórias como um refúgio permanente.
Ao mesmo tempo em que revisita esse imaginário, a música aponta para a necessidade de seguir em frente — de apertar o play para que o amanhã aconteça. A proposta não é se prender ao que ficou, mas reconhecer que, se o passado teve seus momentos marcantes, o presente continua oferecendo novas possibilidades.
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| Crédito: Jorge Daux (@jorgedaux) |
UM ÁLBUM COESO E RICO
O que poderia soar como dispersão se revela, aos poucos, como uma escolha estética consciente. Caranguejo é um disco que exige escuta atenta: suas camadas se desdobram gradualmente, revelando uma coesão que não está na superfície, mas na intenção. No fim, a Supercombo prova que ainda sabe equilibrar experimentação e identidade — mesmo quando decide caminhar para os lados.
Ouça "Caranguejo" integra:

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