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| Debrix - Crédito: Mateus Robert |
Quinteto paulista comenta o processo criativo do single, a força das letras em português e os próximos passos da carreira
Por: Ingrid Natalie (instagram: @femalerocksquad)
A banda paulista Debrix segue consolidando seu espaço na cena do rock nacional com o lançamento do single “Brisa de Espelho”, já disponível nas plataformas digitais. O novo trabalho marca mais um passo na fase atual do grupo, que aposta em letras em português, sonoridade intensa e temas que dialogam com conflitos emocionais e sociais contemporâneos.
Formada em São José dos Campos, a Debrix rapidamente ganhou destaque no cenário independente ao abrir shows da banda norte-americana The Calling e participar de festival ao lado do Sepultura, reforçando sua presença entre os novos nomes promissores do rock brasileiro. Com influências que transitam entre grunge, rock alternativo e rock clássico, o quinteto vem construindo uma identidade sonora marcada por peso, emoção e letras reflexivas.
Em “Brisa de Espelho”, a banda mergulha em temas como manipulação, identidade e autoconhecimento, trazendo uma mensagem direta sobre o enfrentamento de verdades pessoais. A faixa também evidencia a evolução criativa do grupo, com produção assinada pelos próprios integrantes e uma interpretação vocal ainda mais visceral.
Em entrevista ao Female Rock Squad, o vocalista Felippo Texeira fala sobre a nova fase da carreira, o processo criativo do single e os próximos passos da banda no cenário do rock nacional.
FRS: ‘Nada Pra Falar’ marcou a estreia da Debrix cantando em português. O que mudou no processo criativo da banda a partir dessa decisão?
Felippo Teixeira: Não mudou o processo criativo, mas nos tirou da zona de conforto, jogou a gente em territórios não explorados e nesse processo encontramos a nossa genética definitiva como banda, o DNA Debrix.
FRS: Cantar em português trouxe mais liberdade ou mais responsabilidade na hora de escrever letras tão diretas como em ‘Brisa de Espelho’?
Felippo Teixeira: Falamos uma língua muito elegante, literatura e poesia em português são primorosos. Diferente do inglês, onde tudo flui com mais naturalidade, o português é mais truncado e complexo, pegar a malandragem do português no rock é mais difícil. Vejo que não é trazer mais responsabilidade, mas sim demandar mais diligência. Os textos que escrevo já nascem como linhas densas de poesia e não letra de música.
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| Arte da capa do single |
FRS: A música fala sobre manipulação e mundos “mentirosos”. De onde veio essa reflexão que dá origem ao conceito da faixa?
Felippo Teixeira: A inspiração vem de uma experiência pessoal, como tudo que escrevo, mas gosto de pensar que converto isso numa variável para que fique acessível e todos possam de alguma forma se conectar com o sentimento.
FRS: O verso “Esperando o que aqui? Olha pra você!” soa como um chamado à ação. Esse recado nasce de uma vivência pessoal ou de uma leitura do momento atual?
Felippo Teixeira: Eu tive exatamente esse diálogo comigo mesmo me olhando no espelho, me perguntando por que eu ainda estava vivendo aquela situação, eu não precisava estar ali. Na verdade eu precisava sair dali. Não vivi isso hoje, mas sinto que é um pensamento e uma atitute que fazem muito sentido no momento atual. É profundo e universal.
FRS: Musicalmente, “Brisa de Espelho” mostra uma evolução clara da identidade da banda. O que vocês buscaram de diferente nessa nova produção?
Felippo Teixeira: Depois de 'Nada Pra Falar', a gente queria uma energia mais intensa e explosiva e tínhamos um instrumental mais ou menos nessa pegada de um outro som em inglês. Escrevi um novo texto em português, o instrumental foi retrabalhado, tudo sem perder a essência do original.
FRS: Como foi assumir a produção internamente entre Friggi e Alisson? Isso mudou a dinâmica criativa da Debrix?
Felippo Teixeira: A gente já nasceu com um “core” criativo muito sólido, mas a entrada do Friggi foi determinante para tudo funcionar. Hoje cada um tem seu conjunto de habilidades e a gente se complementa muito bem, mas foi o cara que tocou fogo no parquinho.
FRS: Em pouco mais de um ano, vocês abriram os shows do The Calling e tocaram com o Sepultura. Em que momento perceberam que a banda estava entrando em outro patamar?
Felippo Teixeira: Poderia citar vários fatores, mas diria que em determinado momento você percebe que o público está respondendo com uma energia diferente, verdadeiros fãs começam a pipocar aqui e ali querendo mais sons da Debrix. Isso também vai abrindo mais portas no mercado, gerando outras conexões.
FRS: O EP 'Tales from the Rabbit Hole' falava de ilusão e renascimento. Você vê uma continuidade temática entre aquele trabalho e a fase atual?
Felippo Teixeira: Total. TFTRH é o momento do choque, da realização do trauma, é o momento do despertar. E o que vem pela frente é a resposta da brisa no espelho, uma vez em movimento, qual será o caminho daqui para frente?
FRS: Essa nova fase em português mudou a relação da banda com o público nos shows?
Felippo Teixeira: Completamente. Vejo que a conexão é muito mais profunda. As ideias e experiências que trazemos nas músicas ficam muito mais acessíveis, traz uma intensidade emocional muito maior. Sentimos a troca de energia ali no palco com o público mais real e direta.
FRS: 'Brisa de Espelho' já aponta para um álbum completo em português? O que podemos esperar dos próximos passos da Debrix?
Felippo Teixeira: Álbum 100% Pt-Br. Está claro para nós que o português caiu como uma luva, nos poupou tempo, chegou como uma restrição e foi a grande causa do firmamento da nossa identidade, da nossa genética como banda. Também está claro que após os últimos dois singles, o momento pede um trabalho mais completo e maturado. A ideia é ter o álbum pronto para lançamento no início do segundo semestre. Enquanto isso, ainda temos um par de singles na manga para vocês.
Ouça, 'Brisa de Espelho':
- 12:43 PM
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