![]() |
| Revengin - Foto: divulgação |
Vocalista Bruna Rocha detalha o amadurecimento artístico do grupo, o conceito do disco e os planos para a expansão internacional
Texto: Ingrid Natalie (instagram: @femalerocksquad)
A Revengin vem consolidando seu nome como uma das forças do metal sinfônico brasileiro ao unir peso, atmosfera cinematográfica e uma identidade artística cada vez mais sólida. Com o lançamento de 'Dark Dogma Embrace', a banda carioca apresenta um trabalho que marca uma nova etapa em sua trajetória, explorando sonoridades mais densas e emocionais sem abrir mão das raízes que construíram sua assinatura musical.
O álbum reflete um momento de amadurecimento criativo e pessoal do grupo, trazendo composições que mergulham em temas mais introspectivos e expandem a experiência sonora com novas camadas e texturas. À frente dessa fase, a vocalista Bruna Rocha conduz interpretações intensas que reforçam a força expressiva da Revengin dentro do cenário do metal nacional e internacional.
Em entrevista ao Female Rock Squad, Bruna falou sobre o processo de criação de 'Dark Dogma Embrace', a evolução artística da banda, o impacto da recente turnê europeia e os próximos passos dessa nova fase.
FRS: Dark Dogma Embrace tem sido descrito como um divisor de águas na trajetória da Revengin. Em que sentido esse álbum representa uma virada para a banda?
Bruna Rocha: "Dark Dogma Embrace" é uma virada porque ele não foi pensado para agradar expectativas. Ele foi pensado para refletir exatamente quem nos tornamos. Existe uma maturidade emocional e artística muito mais sólida. Não é uma ruptura com o passado, mas é um aprofundamento. Mantemos nossa identidade, mas agora ela está mais consciente, mais densa, mais segura. É o álbum onde paramos de provar quem somos e simplesmente somos.
FRS: O disco apresenta uma atmosfera mais obscura e visceral. Essa escolha foi planejada desde o início ou surgiu naturalmente ao longo do processo criativo?
Bruna Rocha: Surgiu de forma absolutamente natural. A obscuridade não foi uma decisão estética, mas foi um reflexo do momento que vivíamos. As composições começaram a nascer mais densas, mais cruas, e entendemos que não fazia sentido suavizar isso. A atmosfera do álbum é quase orgânica. Ela não mascara o que sentimos. Ela é o próprio recado.
FRS: A identidade da Revengin sempre uniu peso e elementos sinfônicos. Como foi o desafio de incorporar sintetizadores e sequenciadores sem perder essa essência?
Bruna Rocha: Para nós, a essência nunca esteve presa ao instrumento, mas à intenção. O peso da Revengin não é só guitarra ou bateria, mas é atmosfera, é tensão, é entrega. Os sintetizadores e sequenciadores vieram para ampliar essa experiência, não para substituir nada. Eles adicionam camadas, profundidade e modernidade, mas sempre a serviço do sentimento. Se não fizesse sentido artisticamente, não entraria.
![]() |
| Revengin - Foto: divulgação |
FRS: Como a parceria com os produtores Caio Mendonça e Rômulo Pirozzi influenciou o resultado final de "Dark Dogma Embrace"?
Bruna Rocha: Foi fundamental. Eles entenderam rapidamente que queríamos intensidade sem perder identidade. Houve um trabalho muito cuidadoso na construção das texturas, dos timbres e da dinâmica das músicas. Não foi só produção técnica, mas a construção da atmosfera adequada. Nós respeitamos a essência da banda mas, ao mesmo tempo, nos desafiamos a ir além do que já tínhamos feito.
FRS: Gravar no Tellus Studio impactou a forma como vocês enxergam o próprio som e o posicionamento da banda no cenário internacional?
Bruna Rocha: Sem dúvida. Estar em um ambiente altamente profissional eleva o seu próprio padrão de exigência. A gente começou a se enxergar com uma mentalidade ainda mais global. Não no sentido de abandonar nossas raízes, mas de entender que nossa música conversa com pessoas além das fronteiras e de diferente idades. O nível de produção nos colocou em um patamar onde competir internacionalmente deixou de ser um sonho distante e acabou se tornando uma estratégia.
FRS: Os singles lançados vieram acompanhados de videoclipes com forte estética cinematográfica. O conceito visual nasceu junto com as músicas ou foi desenvolvido depois?
Bruna Rocha: O conceito visual já estava implícito nas composições. Quando escrevemos, já enxergamos imagens, cores, atmosferas. A parte audiovisual foi um desdobramento natural do universo que o álbum criou. Para nós, imagem e som caminham juntos principalmente em uma fase onde queríamos reforçar a densidade emocional do disco.
FRS: Existe uma narrativa que conecta os videoclipes de 'Circle of Mistakes', 'Decadent Feeling' e 'Wish You The Same But Worse' dentro do universo do álbum?
Bruna Rocha: Sim. Existe uma linha emocional que conecta tudo. Não é uma história linear óbvia, mas há um fio condutor: ciclos, decadência, ruptura e consequência. Cada clipe representa um estágio de um processo interno quase como capítulos diferentes de um mesmo estado psicológico. Eles coexistem dentro do mesmo universo sombrio que o álbum constrói.
Bruna Rocha: A conexão real com o público. Independentemente do idioma, as pessoas entendiam a energia, a intensidade. Isso confirma que a música é uma linguagem universal. Também foi marcante perceber que existe espaço para a nossa sonoridade fora do Brasil e que estamos no caminho certo ao pensar a banda de forma global.
FRS: Após esse momento de reconhecimento internacional, quais são os próximos passos da Revengin em termos criativos e de carreira?
Bruna Rocha: Criativamente, queremos continuar evoluindo sem perder nossa identidade. Explorar novas camadas sonoras, aprofundar ainda mais a atmosfera e a narrativa da banda. Em termos de carreira, a meta é consolidar nossa presença internacional, ampliar turnês e fortalecer nossa estrutura profissional. Já estamos na produção do próximo álbum, inclusive. Muitas novidades estão a caminho.
Ouça 'Dark Dogma Embrace':
- 5:05 PM
- 0 Comentários













.jpg)