Com a turnê “Run For Your Lives”, banda britânica revisita sua trajetória no Nubank Parque e transforma um dia nublado em uma celebração de cinco décadas de história e devoção dos fãs
Texto: Ingrid Natalie (instagram: @femalerocksquad)
São Paulo estava sob uma chuva fina chata, mas o céu carregado não foi suficiente para conter a força do Iron Maiden. No último domingo (25), no Nubank Parque, a banda britânica encontrou uma multidão disposta a enfrentar o temporal para celebrar cinco décadas de uma história que se confunde com a própria evolução do heavy metal. Com a turnê “Run For Your Lives”, o grupo percorreu diferentes capítulos dessa trajetória, resgatando canções que ajudaram a transformar gerações de fãs em parte de seu legado.
A donzela de ferro subiu ao palco às 20h50 abrindo o show com três canções do álbum "Killers" 1981: "Murders In The Rue Morgue", "Wrathchild" e "Killers". A escolha foi certeira: ao resgatar um dos primeiros capítulos de sua discografia, a banda não apenas revisitou suas raízes, como também evocou a memória de Paul Di'Anno, vocalista dos dois primeiros álbuns e figura fundamental na formação de sua identidade sonora. A resposta do público foi efusiva e reforçou ainda mais o laço da banda com o país.
QUANDO O VISUAL TRANFORMA O SHOW EM UM ESPETÁCULO
Iron Maiden sempre entregou cenários impecáveis para seus shows e desta vez não foi diferente. Um enorme telão ao fundo acompanhava o repertório, criando ambientações que dialogavam com a identidade de cada música. Em determinados momentos, os efeitos visuais produziam uma impressionante sensação de profundidade, como se as imagens ultrapassassem os limites da tela e avançassem em direção ao público. Um exemplo foi na animada "Aces High" onde a imagem do Eddie piloto se projetou a frente.
Aliás, o mascote da banda deu as caras em vários momentos, como já esperado nos clássicos "The Tropper", com direito a Bruce Dickinson carregando uma bandeira brasileira no final, e "Iron Maiden" para delírio dos fãs.
A iluminação também desempenhou um papel importante na construção da atmosfera do espetáculo, ampliando a intensidade de diferentes momentos do repertório. Em “Rime of the Ancient Mariner”, por exemplo, os tons de azul evocaram a imensidão do oceano, criando uma ambientação que dialogava diretamente com a narrativa da música. Vale destacar o discurso brincalhão de Dickinson que ao pegar uma garrafa diz, "droga, não é cachaça, é água", arrancando risos da plateia.
IRON MAIDEN E BRASIL, PARCERIA DE LONGA DATA
A turnê “Run For Your Lives” marca mais um capítulo da longa relação entre o Iron Maiden e o Brasil — uma conexão que, ao que tudo indica, está longe de perder a força. Se a banda demonstra entusiasmo ao reencontrar os fãs brasileiros, a resposta do público não fica atrás: clássicos como "Run To The Hills", “The Number of the Beast” e “Fear of the Dark” transformam o espaço em um grande coro, com milhares de vozes cantando em uníssono. É nesse encontro entre uma discografia que atravessa gerações e uma plateia que conhece cada verso que a longevidade dessa relação ganha sentido.
Além disso, a banda está mais afiada do que nunca. Adrian Smith, Dave Murray e Janick Gers conduzem as guitarras com a segurança de quem conhece profundamente a identidade sonora da banda, sem abrir mão da descontração que marca suas performances. Steve Harris, por sua vez, mantém a precisão de suas inconfundíveis “cavalgadas”, reafirmando a importância do baixo na construção do som do grupo. No centro da ação, Bruce Dickinson acrescenta teatralidade à apresentação e conduz o público pelas narrativas de cada música. Já Simon Dawson, novidade na bateria, assume seu posto com competência e sustenta a intensidade da execução ao vivo.
SETLIST FEITO PARA OS FÃS
É difícil reunir um repertório de 50 anos em um show de pouco mais de 2 horas, talvez seja por isso que a banda optou por um setlist mais oitentista, até o álbum "Fear Of The Dark". Porém, isso não foi impeditivo de adicionar uma surpresa: "Infinite Dreams", a música do álbum “Seventh Son of a Seventh Son” (1988) causou grandes emoções com sua belíssima execução, pois não era incluída nos shows desde sua estreia.
O show ainda contou com algumas músicas queridas dos fãs: "Powerslave", "Seventh Son of the Seventh Son", "Two Minutes To Midnight" e "Hallowed Be Thy Name", esta última com direito a Bruce Dickinson mostrando toda sua dramaticidade.
ASSIM COMO JAMES BOND, IRON MAIDEN ESTARÁ DE VOLTA
Antes de “Wasted Years” encerrar a apresentação, Bruce Dickinson agradeceu ao público, dedicou a última música aos fãs e os convidou a cantar como se estivessem vivendo o melhor dia de suas vidas. Missão dada, missão cumprida. Os acordes finais se misturaram às vozes da plateia, transformando o encerramento em um daqueles momentos em que a música deixa de pertencer apenas ao palco e passa a ser compartilhada por todos.
As últimas palavras de Bruce no show foram, "assim como James Bond, Iron Maiden estará de volta". E de fato, a banda ainda volta para mais um show em São Paulo no dia 27 de outubro e fecha a turnê brasileira no dia 28 em Curitiba.
SETLIST COMPLETO:
- The Ides of March (Intro) + Murders in the Rue Morgue
- Wrathchild
- Killers
- Phantom of the Opera
- The Number of the Beast
- Infinite Dreams
- Powerslave
- 2 Minutes to Midnight
- Rime of the Ancient Mariner
- Run to the Hills
- Seventh Son of a Seventh Son
- The Trooper
- Hallowed Be Thy Name
- Iron Maiden
ENCORE:
- Churchill’s Speech (Intro) + Aces High
- Fear of the Dark
- Wasted Years
- 6:30 PM
- 0 Comentários








%203.png)

%202.png)


