Sunset Collectors lança cover de 'Disconnected', clássico do Face to Face, e celebra o legado do punk melódico
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| Sunset Collectors - Foto: divulgação |
Por: Ingrid Natalie (instagram: @femalerocksquad)
A cena punk melódica dos anos 90 moldou gerações — e segue ecoando alto nas novas formações do underground brasileiro. É nesse espírito que a Sunset Collectors apresenta sua versão de “Disconnected”, clássico do Face to Face lançado originalmente em 1992. Mais do que um simples cover, a releitura funciona como ponte entre influências e identidade própria.
Com energia crua, guitarras afiadas e vocais que equilibram urgência e melodia, a banda imprime personalidade à faixa sem abrir mão da essência que tornou o som do Face to Face um marco do punk rock californiano. A escolha de “Disconnected” não é aleatória: trata-se de um hino sobre alienação, frustração e deslocamento — temas que permanecem atuais e dialogam com a proposta lírica da Sunset Collectors.
Ao apostar na releitura como um dos primeiros registros oficiais, o grupo não apenas presta tributo a uma de suas maiores referências, mas também se posiciona dentro de uma linhagem estética que valoriza intensidade, autenticidade e conexão direta com o público. O resultado é um lançamento que reafirma raízes, amplia horizontes e prepara terreno para os próximos passos autorais da banda.
FRS: “Disconnected” é um clássico do Face to Face. Como surgiu a ideia de gravar justamente essa música como parte do repertório da Sunset Collectors?
Sunset Collectors: O convite para participarmos do projeto Cleptolab partiu do nosso produtor Tiago Hóspede, logo no início das nossas gravações. A ideia de gravar “Disconnected”, do Face to Face, foi do nosso amigo Eduardo Ogro. A sugestão fez total sentido para nós, porque a música sempre foi uma referência direta dentro do punk melódico que influenciou a banda. Era uma faixa que representava nossas raízes e dialogava naturalmente com a identidade da Sunset Collectors.
FRS: Esse cover tem um caráter de homenagem ao Face to Face e à passagem da banda pela América do Sul. Qual foi o impacto desse momento para vocês como fãs e músicos?
Sunset Collectors: Assistimos juntos ao show da banda em São Paulo durante a turnê sul-americana de 2024, o que tornou tudo ainda mais significativo. Ver Trevor Keith, Scott Shiflett, Dennis Hill e Danny Thompson ao vivo reforçou nossa conexão com a música e com a história da banda. Como fãs, foi um momento marcante, como músicos, foi inspirador. A gravação do cover se tornou uma forma concreta de homenagear essa experiência e registrar a influência que eles têm sobre nós.
FRS: A faixa acabou sendo uma das primeiras gravações oficiais da banda. Por que decidir começar a trajetória fonográfica com um cover e não com material autoral?
Sunset Collectors: Embora já estivéssemos desenvolvendo nossas músicas autorais, participar do tributo dentro do projeto Cleptolab representou uma oportunidade importante logo no início da nossa trajetória em estúdio. O cover funcionou como um ponto de partida estratégico, apresentando a banda ao público, evidenciou nossas influências e abriu caminho para os lançamentos autorais. Foi um primeiro passo sólido e simbólico dentro da nossa construção artística.
FRS: Como foi o processo de adaptar “Disconnected” para a identidade sonora da Sunset Collectors sem perder a essência do original?
Sunset Collectors: Mantivemos a estrutura e a essência da música, respeitando sua identidade clássica. A adaptação veio na sonoridade, timbres mais encorpados, bateria mais intensa e vocais com uma entrega mais crua, refletindo nossa mistura entre hardcore e punk melódico. A proposta não era reinventar a faixa, mas interpretá-la com a energia e a personalidade da Sunset Collectors.
FRS: A gravação contou com participações especiais como Tiago Hóspede e Eduardo Ogro. Como essas colaborações surgiram e o que elas agregaram ao resultado final?
Sunset Collectors: A parceria surgiu de forma natural a partir da amizade construída desde nossos primeiros shows. O Tiago Hóspede, além de produtor, participou nos vocais, enquanto o Eduardo Ogro assumiu o baixo na gravação. As participações trouxeram experiência, peso e credibilidade ao trabalho, fortalecendo o resultado final e tornando esse primeiro lançamento ainda mais especial para a banda.
FRS: Vocês lançaram a música dentro do projeto Cleptolab e com produção ligada ao programa Heavy Pero No Mucho. Como foi essa experiência e o que ela representou para a visibilidade da banda?
Sunset Collectors: O lançamento através do projeto Cleptolab marcou oficialmente a nossa estreia. A música foi apresentada no programa Heavy Pero No Mucho, da 89 FM, e nessa primeira visita à rádio conhecemos o DJ e apresentador Thiago DJ. Desde então, ele tem sido fundamental na divulgação da banda, nos dando total incentivo e abrindo espaço para que o nosso trabalho chegasse a mais pessoas.
O Thiago DJ mantém a cena underground viva dentro de um veículo de grande alcance, e para nós foi uma enorme satisfação participar do programa dele, que na nossa visão, é facilmente o melhor da rádio nacional nesse segmento. Essa experiência ampliou significativamente nossa visibilidade e nos conectou de forma concreta a um público maior dentro da cena.
FRS: O punk melódico dos anos 90 influenciou fortemente a banda. O que “Disconnected” representa dentro desse legado e da formação musical de vocês?
Sunset Collectors: “Disconnected” é um clássico absoluto do punk melódico. Face to Face é uma das bandas que todos nós crescemos ouvindo, então essa música sempre esteve presente, seja nas referências musicais, seja nas nossas resenhas e onde ela nunca falta, em nossa playlist. Ela representa muito da nossa base sonora e, principalmente, a nossa união como banda. É uma forma de honrar aquilo que moldou a gente como músicos.
FRS: A música original é considerada uma das mais marcantes da carreira do Face to Face. Sentiram algum tipo de pressão ou responsabilidade ao reinterpretar um clássico tão conhecido?
Sunset Collectors: Não foi exatamente uma pressão, mas sabíamos que não podíamos decepcionar. Afinal, estamos falando de um dos maiores clássicos do punk rock, e não só da incrível discografia do Face to Face. No início, houve uma certa apreensão sobre como as pessoas iriam receber. Mas no final, deu tudo certo e ficamos muito satisfeitos com o resultado, tanto da releitura quanto do clipe.
Uma curiosidade interessante que talvez nem todo mundo saiba, compartilhamos no Instagram uma mensagem do Scott Shiflett, o atual baixista do Face to Face, nos parabenizando pelo cover. Foi nesse momento que sentimos que tínhamos cumprido nossa missão.
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| Sunset Collectors - Foto: divulgação |
FRS: Como tem sido a recepção do público, tanto de quem já conhecia a música quanto de quem teve contato com ela pela primeira vez através da versão de vocês?
Sunset Collectors: A recepção tem sido bastante positiva. Quem já conhecia a versão original destacou o respeito à essência da música, enquanto novos ouvintes elogiaram a produção e a energia da gravação. Isso mostra que conseguimos equilibrar fidelidade e identidade própria na releitura.
FRS: Depois desse lançamento, vocês pretendem continuar explorando releituras ou o foco passa a ser totalmente no material autoral daqui para frente?
Sunset Collectors: O foco principal agora é o lançamento do nosso EP autoral, que representa o próximo passo da banda. No entanto, as releituras continuam fazendo parte dos nossos planos como forma de homenagear influências e manter viva a conexão com as raízes do punk que moldaram a Sunset Collectors.
Ouça "Disconnected":


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