'Garra' marca estreia de Alexia com peso, emoção e identidade no rock nacional

3:00 PM

Aléxia - Crédito: Vitor Duik

Cantora entrega um álbum consistente que transita entre intensidade sonora e mergulho pessoal

Por: Ingrid Natalie (instagram: @femalerocksquad)

Aléxia chega sem pedir licença: com Garra, seu disco de estreia lançado na última sexta-feira, 30 de abril, a artista se projeta como um nome em ascensão no rock nacional. Em 14 faixas, ela transforma vivências pessoais em matéria-prima sonora e conduz o ouvinte por um percurso íntimo, denso e pulsante — onde o peso do heavy metal encontra a energia do pop e a carga emocional do rock alternativo.

Natural de Tatuí, no interior paulista, Aléxia expõe sem filtros as próprias fragilidades ao longo do disco, mergulhando em temas como luto e amor. “Sempre tive dificuldade de expor meus sentimentos e fragilidades — odiei por muito tempo me sentir vulnerável. Essas faixas falam de luto e de amor, temas que me expõem completamente. Mas eu sou essa pessoa. Eu sinto as coisas demais, é minha força e minha fraqueza”, revela.

O CONCEITO A PARTIR DA CAPA DO ÁLBUM

A capa do álbum evidencia a temática das músicas. Ela parte da ideia de uma cicatriz deixada pela ferida da garra de um “monstro”, mas que se transforma em força no final. A imagem apresenta a garra de um “monstro” que fere a artista, símbolo que, para Aléxia, não retrata apenas uma pessoa ou um trauma específico. “Esse ‘monstro’ representa todas as pessoas e situações que já me fizeram mal, inclusive eu mesma. Eu já fui esse ‘monstro’ na minha própria história. Agora eu sigo com minhas cicatrizes e aceitando que tudo que me aconteceu me trouxe aqui”, afirma Aléxia.

Foto da capa: André Cruz

RECONHECER SENTIMENTOS É PARTE DA CURA

A abertura com “Ansiedade” chega cortante, guiada por riffs de guitarra que ecoam a urgência de recomeçar. Em seguida, “Seja Você” amplia esse discurso ao transformar autenticidade em mantra, sustentada por um refrão que gruda e encontra fácil espelho no ouvinte e chegou acompanhada de videoclipe oficial. Assista:


O SENSO DE PERTENCIMENTO E A CURA INTERNA

“Nós contra o mundo” apresenta uma abordagem mais suave, com arranjos que começam minimalistas e se expandem gradualmente, incorporando camadas instrumentais que ampliam a intensidade emocional da faixa. O crescimento é acompanhado por uma interpretação vocal mais aberta de Alexia, que transforma a música em um ponto de respiro dentro do disco, especialmente para quem se reconhece em narrativas de solidão e pertencimento. 

Na sequência, “Fevereiro” mantém a atmosfera mais introspectiva da faixa anterior, mas desloca o foco para um plano ainda mais pessoal. A canção se destaca pelo caráter confessional da letra, em que Alexia abandona metáforas mais amplas e se aproxima de um relato direto sobre o luto, reforçado por uma interpretação vocal mais melódica e vulnerável.

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL DE MI VIEIRA (GLÓRIA)

A faixa "I Don't Wanna Die" é um grito de quem está se reconstruindo e entendendo o valor da vida e ambientado em uma sonoridade pesada e visceral. É uma canção interessante e que conta com a participação de Mi Vieira, vocalista do Glória que enriquece a narrativa da letra com seu vocal gutural e agressivo. 

OS CLONFITOS DAS RELAÇÕES RETRATADOS DE FORMA GENUÍNA

“Monstro” surge como um dos momentos mais intensos do disco, tanto na construção sonora quanto na carga emocional. Com riffs densos e uma interpretação vocal impecável, Alexia dá forma a conflitos das relações humanas, transformando o “monstro” em metáfora para ações que não podem mais ser contidas. A mesma linha segue na faixa “1x1” que praticamente complementa a sua faixa antecessora.

AMOR, EMPODERAMENTO E PERSISTÊNCIA 

Se aproximando do desfecho, “Letra e Música” revela um lado mais afetivo de Alexia, estruturada como uma declaração de amor que equilibra sensibilidade e intensidade, sustentada por arranjos que crescem sem perder clareza emocional. Na sequência, “Cereja” muda o eixo temático ao apostar em uma abordagem mais assertiva, com uma mensagem de empoderamento feminino conduzida por uma entrega direta e segura. O encerramento com “Game Over” retoma o peso com uma explosão de energia, flertando com o heavy metal em sua dinâmica acelerada e encerrando o disco com uma afirmação de resistência e persistência.

UM ÁLBUM COESO, MADURO E COM IDENTIDADE

Em um cenário onde estreias muitas vezes ainda tateiam identidade, Garra se destaca pela segurança com que Alexia constrói seu discurso artístico. Sem abrir mão da intensidade, a cantora equilibra peso e sensibilidade em um trabalho que não apenas apresenta suas influências, mas aponta caminhos possíveis dentro do rock nacional contemporâneo. O saldo final é de um álbum consistente, expressivo e promissor — que estabelece bases sólidas para os próximos passos da artista.

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