Bangers Open Air 2026 entrega edição com line-up coeso e faz história com a reunião do Angra
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| Bangers Open Air 2026 - Wellington Penilha / MHermesArts |
Festival de heavy metal aconteceu nos dias 25 e 26 de abril no Memorial da América Latina trazendo nomes importantes da música pesada
Texto: Ingrid Natalie (instagram: @femalerocksquad)
O Bangers Open Air tomou conta do Memorial da América Latina, em São Paulo, nos dias 25 e 26 de abril de 2026. Fãs de heavy metal de várias regiões do país se reuniram para celebrar a música pesada e exaltar a energia que os conecta. Em sua quarta edição, o festival mostrou novamente uma curadoria precisa ao reunir nomes consagrados como Black Label Society, Primal Fear, Evergrey, In Flames, Within Temptation e Arch Enemy, ao lado de forças mais contemporâneas como Lucifer, Amaranthe e Crazy Lixx. O evento também reafirmou seu compromisso com a cena nacional ao abrir espaço para Malvada, Torture Squad, Crypta e a aguardada reunião do Angra.
ESTRUTURA IMPECÁVEL
Assim como nas edições anteriores, a produção manteve os palcos principais Ice Stage e Hot Stage posicionados lado a lado, solução que favoreceu a dinâmica entre os shows e permitiu ao público transitar com agilidade entre uma apresentação e outra, sem a sensação de perda constante causada por longos deslocamentos. O acesso à front row, equivalente à pista premium, foi controlado por catracas com leitura de QR code nas pulseiras, medida que tornou o fluxo de entrada mais organizado.
O Sun Stage, terceiro palco principal, continuou acessado por uma passarela que levava à segunda área do festival, onde ficaram a Expo Horror, a feira geek e o espaço destinado às signing sessions. ao longo da passarela, o público sente que o percurso ampliava a percepção de que o evento se desdobrava em diferentes universos, convidando os visitantes a explorar novas atrações a cada travessia. Já o Wave Stage continuou localizado no teatro, oferecendo mais conforto e uma atmosfera mais intimista para quem buscava acompanhar os shows em condições mais acolhedoras.
A pontualidade das apresentações é sempre um diferencial, sem registros de atrasos relevantes — ajudou o público a planejar melhor sua jornada entre palcos. O Bangers Open Air também entregou uma estrutura eficiente, com ampla oferta de alimentação, banheiros, posto médico e guarda-volumes, garantindo praticidade para que a experiência fosse marcada mais pela música do que por contratempos logísticos.
JINJER, CRYPTA E ARCH ENEMY: O PODER FEMININO NO DEATH METAL E METAL CORE
O sábado, 25 de abril, carregou o peso do death metal e a combustão do metalcore, com presença marcante de bandas lideradas por mulheres. Entre elas, Jinjer surgiu como um dos nomes mais explosivos do dia. No Hot Stage, Tatiana Shmayluk não apenas ocupou o centro do palco — ela o dominou por completo.
Vestindo rosa em meio a um oceano de camisetas pretas, a vocalista transformou contraste em símbolo de força. Entre vocais limpos executados com precisão e guturais devastadores, Tatiana entregou uma performance hipnótica, intensa e tecnicamente irrepreensível. Em poucos minutos, ficou evidente: alguns artistas se apresentam; outros simplesmente tomam conta do momento.
O setlist contou com as músicas "Duél” e “Green Serpent” equilibrando com mais faixas recentes, como “Fast Draw” e “Someone's Daughter”, com clássicos incontornáveis como “Vortex”, “Perennial” e a sempre aguardada “Pisces”.
Ainda no mesmo dia Crypta, uma força nacional do death metal, reforçou ainda mais o seu poder ao atrair um imenso público à frente do Sun Stage. A segunda passagem pelo festival foi marcada pela apresentação da nova guitarrista Victoria Villarreal e de conclusão da turnê do álbum "Shades Of Sorrow" (2023).
Desde a abertura com “Death Arcana”, a banda impôs peso, técnica e presença de palco, conduzindo o público por uma sequência devastadora que passou por faixas como “Lullaby for the Forsaken”, “Poisonous Apathy”, “The Outsider” e “Stronghold”. O quarteto mostrou entrosamento absoluto, com guitarras afiadas, bateria precisa e a voz feroz de Fernanda Lira liderando cada ataque sonoro com autoridade. Na reta final, “The Other Side of Anger”, “Trial of Traitors”, “Dark Night of the Soul”, “Starvation”, “Lord of Ruins” e “From the Ashes” transformaram a apresentação em catarse coletiva, entre rodas intensas e headbanging constante.
O Arch Enemy veio com a missão de preencher o espaço deixado pelo Twisted Sister, isso sem contar a apresentação da nova vocalista Lauren Hart para um público exigente. A abertura do show ficou com as músicas “Yesterday Is Dead and Gone” e “The World Is Yours”, seguido por clássicos como “Ravenous”, “War Eternal” e a pesada “Dream Stealer”. Os corações dos fãs foram conquistados logo de cara pelo carisma e entrega de Lauren Hart que fez um discurso emocionado e afirmou o quanto se sentia honrada em se apresentar no país. Em paralelo, Michael Amott e Joey Concepcion sustentaram muralhas de riffs e solos afiados durante toda a performance.
Na segunda metade, o repertório ganhou ainda mais força com “The Eagle Flies Alone”, “No Gods, No Masters”, “Dead Bury Their Dead” e a explosiva “Nemesis”, recebida como hino pela plateia. O instrumental “Snow Bound”, precedido por solo de guitarra de Joey, trouxe respiro técnico antes do grand finale. Encerrando com o clima épico de “Fields of Desolation”, o Arch Enemy mostrou por que segue como uma das maiores potências do melodic death metal mundial: precisão, peso e experiência convertidos em espetáculo.
BLACK LABEL SOCIETY E IN FLAMES: BANDAS MEMORÁVEIS DO ROCK'N'ROLL
Black Label Society foi um dos headliners do palco Hot no sábado (25) e confirmou o posto de guardiões do heavy metal, não somente pela presença imponente de Zakk Wylde, mas também pela qualidade técnica da banda. O início com "Funeral Bell" e "Name In Blood" capturaram a atenção do público nos primeiros acordes. Entre os momentos mais emocionantes esteve a execução de "No More Tears", clássico de Ozzy Osbourne que reforçou a conexão histórica entre os artistas. Já "In This River" trouxe um clima de respeito e homenagem a Dimebag Darrell e Vinnie Paul, sendo um dos pontos altos sentimentais da noite. Na sequência final, Fire It Up e Suicide Messiah incendiaram a plateia, antes da homenagem em "Ozzy’s Song" e finalizando com "Still Born".
O show do In Flames no palco Ice foi um dos mais aguardados do primeiro dia. O grupo sueco proporcionou momentos de forte ligação com os fãs que desde o início gritaram em alto e bom tom "olê, olê, olê...In Flames". A abertura com Pinball Map já colocou a plateia em movimento, seguida pela força moderna de "The Great Deceiver" e "Deliver Us". O equilíbrio entre diferentes fases da carreira foi um dos pontos altos do show, mostrando como a banda consegue unir peso, melodia e refrões marcantes. Momentos como "The Quiet Place", "Cloud Connected" e "Only for the Weak" levantaram ainda mais o público, enquanto faixas recentes como "State of Slow Decay" provaram que o grupo continua importante e criativo. Na reta final, "The Mirror's Truth", "I Am Above" e a explosiva "Take This Life" encerraram a apresentação com enormes mosh pits..
SEGUNDO DIA DO BANGERS FOI MARCADO PELO HEAVY METAL MELÓDICO E HARD ROCK
Amaranthe fez um show interessante e empolgante. Combinando metal, música eletrônica e refrões altamente acessíveis, a banda sueca transformou o festival em uma grande festa sonora marcada por peso, melodia e carisma, especialmente da frontwoman Elize Ryd. A propósito, os vocais chamam atenção pelo entrosamento e equilíbrio. Nils Molin, também vocalista da banda Dynasty, fez as vozes limpas, e os guturais ficaram na responsabilidade de Mikael Sehlin. O início com "Fearless" anunciou a proposta explosiva do show, seguida por "Viral" e "Digital World". Faixas como "Damnation Flame", "Maximize" e "PvP " mantiveram o público em alta rotação, enquanto "Amaranthine" trouxe um momento mais melódico e emotivo, mostrando a versatilidade do repertório. Os acordes finais ficaram com "The Nexus", "Archangel" e a excelente "Drop Dead Cynical".
Crazy Lixx fez a alegria dos fãs de hard rock presentes à frente do palco Sun. Com atitude oitentista, refrões grudentos e muita energia de palco, o grupo entregou um show divertido e direto ao ponto, conquistando tanto fãs antigos quanto curiosos que passavam pelo festival. A banda sueca mostrou domínio total da proposta: riffs simples e eficientes, refrões para cantar junto e presença de palco contagiante. "Rise Above", "Hell Raising Women", "Whiskey Tango Foxtrot", "Blame It on Love" e "Who Said Rock ’n’ Roll Is Dead" foram algumas das adições do setlist.
Winger desfilou seu hard rock de alta qualidade e sua belíssima história de 40 anos no palco Ice. Donos de um repertório marcante e músicos altamente técnicos, o grupo mostrou que continua afiado ao vivo, equilibrando energia, melodias marcantes e muita qualidade instrumental. "Stick the Knife In and Twist" deu o choque inicial de adrenalina, , seguida pelos clássicos "Seventeen" e "Can't Get Enuff", que incendiaram a plateia com refrões conhecidos e clima nostálgico. O lado mais melódico apareceu em momentos como "Down Incognito", "Miles Away" e "Rainbow in the Rose", mostrando a versatilidade da banda entre peso e sensibilidade. Outro destaque veio com o solo de guitarra de Reb Beach, exibindo técnica e carisma. Na reta final, "Headed for a Heartbreak" emocionou o público, antes da sequência animada com "Easy Come Easy Go" e" Madalaine".
Os guitarristas Adrian Smith e Richie Kotzen protagonizam uma performance irrepreensível no palco Hot. Unindo hard rock, blues, soul e guitarras refinadas, o show trouxe uma atmosfera diferente dentro do festival, marcada por técnica, musicalidade e canções cheias de personalidade. A abertura com "Life Unchained" já exibiu o entrosamento da dupla, seguida por "Black Light" e "Wraith". A troca de vocais e solos entre os dois artistas foi um dos grandes atrativos da apresentação. Faixas como "Blindsided", "Taking My Chances" e "Darkside" reforçaram a mistura entre peso clássico e melodias sofisticadas. Já "White Noise" e "Scars" mostraram o lado mais emotivo e envolvente do repertório. No encerramento, Running preparou o terreno para uma surpresa especial: "Wasted Years", clássico do Iron Maiden que levou o público ao delírio.
Within Temptation trouxe seu rock melódico para o palco Ice e justificou o fato de serem headliners. Com produção marcante, repertório poderoso e a presença magnética de Sharon den Adel, o grupo entregou um show emocionante e cinematográfico. "We Go to War" trouxe impacto imediato, seguida pela celebrada execução de "The Howling", tocada pela primeira vez desde 2016. Logo depois, "Stand My Ground" reafirmou a força de um dos maiores hinos da banda.
O setlist soube equilibrar fases distintas da carreira. Faixas recentes como "Bleed Out", "Wireless" e "Don't Pray for Me" mostraram uma banda atual e combativa, enquanto clássicos como "In the Middle of the Night", "Faster" e "Lost" foram recebidos com entusiasmo pelo público. Entre os momentos mais especiais estiveram "The Heart of Everything", apresentada pela primeira vez desde 2019, e "Forsaken", retorno raro ao repertório e primeira execução pública desde 2008. Já "Paradise (What About Us?)" ampliou o clima épico da noite. No encerramento, "Ice Queen" e "Mother Earth" transformaram o festival em um coro coletivo.
REUNIÃO HISTÓRICA DO ANGRA
O Bangers Open Air 2026 testemunhou um de seus momentos mais históricos com a celebração de 35 anos do Angra. Mais do que um show, a apresentação foi uma viagem emocional pela trajetória do grupo, reunindo diferentes formações, convidados especiais e homenagens que transformaram a noite em um marco para o metal nacional.
O primeiro ato reuniu Alirio Netto, Fabio Lione, Rafael Bittencourt, Marcelo Barbosa, Felipe Andreoli e Bruno Valverde. Clássicos como Nothing to Say e Angels Cry abriram a celebração em alta rotação, enquanto Tide of Changes - Part I e Lisbon representaram fases mais recentes. Um dos grandes momentos veio com Carolina IV, executada pela primeira vez desde 2018 e dedicada aos fãs.
No segundo ato, a entrada de Edu Falaschi, Kiko Loureiro e Ricardo Confessori Priester elevou ainda mais o clima nostálgico. A sequência com "Nova Era", "Millennium Sun", "Heroes of Sand" e "Spread Your Fire" levou o público ao delírio, reafirmando a força da fase Rebirth.
O terceiro ato trouxe emoção máxima com Silence and Distance iniciada ao piano por imagens de Andre Matos no telão. A homenagem ao eterno vocalista emocionou o público e deu tom solene ao encerramento. Em seguida, Late Redemption e Carry On reuniram todos os músicos no palco em um final apoteótico.
O Angra entregou no Bangers Open Air 2026 não apenas um show, mas uma celebração grandiosa de sua história, de sua importância para o metal brasileiro e do legado eterno construído ao longo de 35 anos.
EDIÇÃO DE 2027 CONFIRMADA!
A próxima edição do Bangers Open Air está agendada para os dias 24 e 25 de abril de 2027, prometendo elevar ainda mais o padrão do heavy metal no país. Os fãs poderão garantir seus ingressos antecipadamente por meio da modalidade Blind Ticket, com condições especiais, a partir de 30 de abril, às 10h, pelo site oficial da ticketeira Clube do Ingresso.












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