Deb and The Mentals fala sobre 'STUCK' e abertura dos shows do Foo Fighters no Brasil

10:21 AM

Deb and The Mentals - Crédito: @muriloamancio.jpg

Em entrevista ao Female Rock Squad, banda comenta a nova fase sonora, a estreia de Guilherme Toledo na bateria e a emoção de se apresentar ao lado do Foo Fighters em Belo Horizonte e São Paulo

Por: Ingrid Natalie (instagram: @femalerocksquad)

Entre mudanças de formação, novos caminhos sonoros e os desafios de manter uma banda independente ativa, a Deb and The Mentals chega a um dos momentos mais importantes de sua trajetória. Formada na cena underground brasileira, a banda construiu sua identidade transitando pelo punk, grunge, garage rock e rock alternativo e, agora, amplia essa sonoridade com “STUCK”, EP que mergulha em referências do Hardcore para transformar angústia, caos e inquietação em música.

O lançamento também representa uma nova fase para o quarteto, que agora conta com Guilherme Toledo na bateria. Segundo a banda, a mudança aconteceu de forma natural e trouxe uma nova energia para as composições e para os shows. “STUCK” surge, assim, não apenas como um trabalho mais pesado, mas como um reflexo das transformações vividas pelo grupo.

E se o novo EP já marca uma virada importante, o próximo capítulo promete ser ainda maior: em fevereiro de 2027, a Deb and The Mentals será responsável por abrir os shows do Foo Fighters no Brasil, em Belo Horizonte e São Paulo. O convite chegou de maneira inesperada e provocou uma reação de incredulidade entre os integrantes — até o momento em que a ficha finalmente caiu.

Antes de subir aos palcos da Arena MRV e do MorumBIS, a banda conversou com o Female Rock Squad sobre os desafios da cena independente, a criação de “STUCK”, a nova formação, o processo de transformar angústias em música e, claro, a emoção de dividir o palco com uma das maiores bandas do rock mundial. 

FRS: A Deb and The Mentals surgiu e se consolidou na cena independente brasileira. Quais foram os principais desafios para chegar a um momento tão importante como este?

Deb and The Mentals: Manter a energia de uma banda, os horários malucos da vida na estrada, a eterna questão existencial de … que isso que estamos fazendo? risos… mas tudo fica legal com a vontade de fazer música!

FRS: O novo EP “STUCK” apresenta uma sonoridade mais pesada, veloz e urgente, com maior influência do Hardcore. O que motivou essa mudança de direção musical?

Deb and The Mentals: O hardcore e o punk sempre foram grandes influências em todos nós, mas a banda não fazia isso, era mais grunge garage punk. Quando a Deb falou que estava mais afim de cantar mais pra essa linha ,essa energia HC paulera surgiu bem natural.

FRS: O conceito do EP parte da sensação de estar preso aos próprios pensamentos, medos e angústias. Como vocês transformaram esses sentimentos em música?

Deb and The Mentals: Acho que a gente transformou esses sentimentos em música justamente porque não tentou fugir deles. Tem momentos mais pesados, mais caóticos, mais agressivos, e outros em que a gente deixa o sentimento respirar. Acho que o EP é muito sobre esse conflito interno: você sabe que está preso em determinados pensamentos, mas ao mesmo tempo está tentando encontrar uma saída. E transformar isso em música acabou sendo uma forma de organizar esse caos.

FRS: “WATCH OUT” e “NOT THE HERO” ganharam um videoclipe duplo. Como surgiu a ideia de conectar as duas faixas visualmente?

Deb and The Mentals: A ideia era trabalhar com o audiovisual de forma simples, dinâmica e criativa. As duas músicas são curtas e transmitem o mesmo sentimento, então queríamos criar essa sensação de takes estáticos, porém com cortes rápidos, trazendo uma dinâmica mesmo dentro de um único vídeo.

A ideia também foi transmitir a sensação de stuck, de estar preso em algo. Por isso, usamos a máquina de lavar e o elevador para criar essa sensação de estar em um espaço pequeno e claustrofóbico.

Assista ao clipe de "Watch Out / Not Hero":


FRS: O EP também marca a estreia de Guilherme Toledo na bateria. Como a chegada dele influenciou a dinâmica e a sonoridade da banda?

Deb and The Mentals: Logo no primeiro ensaio sentimos que era a pegada que queríamos pra banda e as músicas novas foram surgindo juntando nossas influências. Ele também acrescentou na parte audiovisual da banda, curtimos muito sua criatividade e referências.

FRS: Vocês estão vivendo esse momento justamente com o lançamento de “STUCK”. Como o novo EP representa a fase atual da banda?

Deb and The Mentals: "STUCK" representa que mudanças podem ser positivas, por mais drásticas que elas possam ser. Exploramos isso brevemente no "Old News", com "Burn It Down", que trouxe um som mais pesado. Depois dessa música, resolvemos compor o novo EP nessa pegada mais hardcore, trazendo essa sensação de liberar angústias e de trocar uma energia boa entre nós, especialmente quando estamos no palco.

Acreditamos que esse EP veio na melhor época possível e estamos muito felizes com esse lançamento. Foi um processo que trouxe uma energia muito boa e que somou entre todos os integrantes da banda.

Deb and The Mentals - Crédito: @muriloamancio.jpg

FRS: Como vocês receberam a notícia de que seriam uma das bandas de abertura dos shows do Foo Fighters no Brasil? Qual foi a reação de cada integrante?

Deb and The Mentals: A Helena, da LiveNation, entrou em contato comigo (Deb), pelo Instagram e perguntou se tínhamos as datas disponíveis. Falei que sim. Até então, ela não tinha dito qual era a banda. Depois, ela falou para o nosso booker qual seria a banda, e ele me contou primeiro (Deb). Eu fiquei com vontade de chorar de emoção e, em seguida, contei para o Gui e para o Fi, que também ficaram completamente desacreditados e em choque.

O Bi estava viajando, então esperamos ele voltar para contar pessoalmente no ensaio. Primeiro, ele achou que era mentira. Depois, ficou alguns minutos olhando para o além, meio em choque.

FRS: O Foo Fighters tem uma trajetória que atravessa diferentes gerações do rock. O que vocês acreditam que a Deb and The Mentals pode apresentar a um público que talvez ainda não conheça a banda?

Deb and The Mentals: Acredito que a principal coisa que podemos apresentar é a nossa energia musical. Gostamos de nos divertir e acabamos sendo intensos na hora do show, e fazemos questão que o público se sinta fazendo parte disso. Nosso som mistura referências do punk, hardcore, grunge e rock, mas tudo passa pela nossa personalidade e pela forma como nós quatro nos conectamos tocando juntos.

Talvez muita gente não conheça a banda e isso torna tudo ainda mais especial. Nosso desejo e que quem assista pela primeira vez saia sentindo que dividiu aquele momento com a gente e também se divertiu e que queira escutar mais. 

Acho que apresentar uma banda nova para um público tão grande, através de um show que mostre quem somos, é o mais legal que podemos levar! 

FRS: Depois de lançar “STUCK” e dividir os palcos com o Foo Fighters, quais são os próximos sonhos ou objetivos que vocês gostariam de realizar com a banda?

Deb and The Mentals: Vamos continuar compondo e fazendo shows. Ainda tem muita coisa pra acontecer até lá, mas com certeza a abertura pro Foo Fighters será um momento muito especial pra nossa carreira e uma oportunidade pra muitas pessoas conhecerem a banda. Por isso queremos seguir levando nossa música pra lugares e pessoas cada vez mais legais.

Ouça ao EP "STUCK" na íntegra:


FOO FIGHTERS NO BRASIL:

O Foo Fighters estará de volta ao Brasil em 2027 e anuncia duas apresentações no país da Take Cover Tour 2027. Os shows acontecem no dia 18 de fevereiro, em Belo Horizonte, na Arena MRV, e no dia 20 de fevereiro, em São Paulo, no MorumBIS. As apresentações contam com a cantora Karen Dió e a banda paulistana Deb and The Mentals como convidadas especiais. Ingressos disponíveis pelo site: https://www.ticketmaster.com.br/

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