Erudica fala sobre 'Master Of Chaos', expansão internacional e o futuro do metal da banda

12:00 PM

Erudica - Foto: divulgação

Em entrevista ao Female Rock Squad, Patrik e Caroline comentam o processo criativo da Erudica, a construção da identidade sonora da banda, o impacto do EP Master Of Chaos e os planos para "Burnt Imperium" primeiro álbum completo em 2026

Em um cenário onde o metal contemporâneo muitas vezes oscila entre a repetição de fórmulas e a busca por identidade, a Erudica surge como um ponto de tensão interessante — e necessário. Nascida fora do eixo tradicional da cena brasileira, a banda constrói sua sonoridade a partir do encontro entre peso técnico, ambição estética e um discurso que não se contenta com o superficial.

Mais do que apostar apenas no impacto sonoro, o grupo articula uma proposta que transita entre o agressivo e o atmosférico, sustentada por composições que carregam inquietações sociais e existenciais. Nesse contexto, o contraste vocal de Caroline — que percorre com naturalidade o gutural, o melódico e o lírico — não soa como recurso ornamental, mas como extensão direta da identidade da banda.

Com o single “Gaia” funcionando como um primeiro manifesto e o EP "Master Of Chaos" consolidando um direcionamento conceitual mais claro, a Erudica começa a desenhar um caminho que equilibra narrativa, técnica e intenção. Agora, com uma formação de caráter global e planos concretos de expansão internacional, o grupo entra em uma fase decisiva — não apenas de crescimento, mas de afirmação artística.

Foi sobre esse processo de construção, identidade e próximos passos que conversamos com Patrik e Caroline.

FRS: Para quem está conhecendo a banda pela primeira vez: como surgiu a ideia do projeto? 

Patrik:  A Erudica nasceu de uma vontade que eu e a Carol tínhamos em comum de criar algo que unisse peso, técnica e conteúdo. Desde o início, a gente queria ir além do som agressivo e trazer também reflexão nas letras. Quando começamos a desenvolver as primeiras ideias juntos, a identidade da banda foi surgindo de forma bem natural.

FRS: Como funciona o processo de composição para Erudica? É algo colaborativo ou cada um chega responsável por um elemento específico da música?

Patrik: Hoje é bem colaborativo. Muitas vezes eu levo riffs ou estruturas iniciais, mas todo mundo contribui bastante. A Carol trabalha muito as linhas vocais e as melodias, e os outros integrantes também trazem suas influências. No final, tudo passa por todo mundo.

FRS: O alcance vocal da Caroline transita entre o gutural, o operístico e o melódico com muita naturalidade. Isso foi algo que vocês construíram pensando na identidade da banda ou surgiu de forma mais intuitiva durante o processo criativo?

Caroline: Foi totalmente natural. Eu sempre tive essa mistura de influências, tanto do gutural quanto do lírico e do melódico. Quando começamos a compor, vimos que dava pra explorar tudo isso dentro da banda, e acabou virando uma identidade muito forte da Erudica.

FRS: O single “Gaia” (2023) foi o primeiro grande cartão de visitas da banda. Em que medida esse lançamento moldou o rumo que a Erudica decidiu seguir depois?

Patrik: “Gaia” foi um ponto de virada pra gente. Ali ficou muito claro qual era o caminho que queríamos seguir — unir peso com atmosfera e trazer uma mensagem forte. A resposta do público também ajudou a consolidar isso.


FRS: Sobre a música "Master Of Chaos", ela é intensa e traz uma forte reflexão a respeito do poder e a manipulação social. Como foi o processo de composição e as inspirações para esse single?

Patrik: Essa música nasceu de uma inquietação minha com temas como manipulação e poder. Eu queria algo direto e intenso, tanto na parte musical quanto na mensagem. Foi uma das composições mais viscerais que fizemos.

FRS: Não por acaso, "Master Of Chaos" também intitula o primeiro EP da Erudica que também traz as músicas “Echoes Of Desolation” e “From The Blood We Arise. As faixas tem abordagens diferentes dentro do metal. Vocês pensaram esse trabalho como um conceito fechado ou como um retrato do momento da banda?

Caroline: Foi sim pensado como um trabalho conceitual. Desde o início, a gente quis explorar temas como a ganância humana, a sede por poder, manipulação e as consequências disso tudo na sociedade. Cada faixa aborda uma perspectiva diferente dentro dessa ideia, mas todas estão conectadas por esse fio condutor. Mesmo com identidades próprias, elas se complementam e constroem uma narrativa maior ao longo do EP.

FRS: A formação atual da banda conta com o baterista Micael Souza, de Portugal, e do baixista Dragos Iulian, da Romênia. Quão impactante foi para a sonoridade do Erudica a chegada desses dois músicos e qual a importância dessa identidade global?

Patrik: Muito significativo. Cada um trouxe influências diferentes, tanto culturais quanto musicais. Isso acabou enriquecendo bastante o nosso som. Essa mistura também reforça a ideia de que a banda não tem fronteiras.

FRS: "Burnt Imperium", o primeiro álbum completo, chega em 2026. Em comparação com o EP, vocês pretendem aprofundar a sonoridade atual ou explorar novos caminhos?

Caroline: Os dois. A gente quer manter a essência da Erudica, mas também explorar novas possibilidades — tanto vocais quanto musicais. É um passo natural de evolução.

FRS: Por fim, com a agenda de shows já se expandindo pela Europa, como vocês enxergam o equilíbrio entre carreira internacional e presença no Brasil?

Patrik: É um desafio, mas também uma prioridade. O Brasil é a nossa base, então a gente quer continuar presente. Ao mesmo tempo, expandir pra fora é essencial. A ideia é conseguir equilibrar bem esses dois lados.



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