Capsula estreia com 'Dopamina' e aposta em rock alternativo contra a lógica dos algoritmos
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| Crédito: @DiegoRuahn |
Em uma indústria cada vez mais dominada pela velocidade dos algoritmos e pela pressão dos lançamentos instantâneos, o Capsula surge na contramão. O projeto reúne nomes importantes do mainstream e da cena indie brasileira em torno de uma proposta simples — mas rara nos dias de hoje: fazer música com tempo, profundidade e troca criativa verdadeira.
A banda nasceu de encontros improváveis e conexões típicas de Belo Horizonte, cidade onde diferentes trajetórias acabam se cruzando naturalmente. Um almoço de família, amizades em comum e décadas de convivência indireta entre músicos deram origem ao convite despretensioso que mudaria tudo: “vamos fazer um som”.
Integrantes unem experiências do indie e do mainstream
Foi desse encontro que surgiu o quarteto formado por Érika Martins, Fernando Americano, Haroldo Ferretti e Lelo Zaneti.
Durante cerca de um ano, o grupo trabalhou silenciosamente no repertório, longe da lógica imediatista que domina grande parte do mercado musical atual. Os encontros aconteciam no Estúdio Bamboo, espaço montado na casa de Haroldo Ferretti, em Nova Lima, onde as músicas foram sendo construídas entre experimentações, trocas de referências e reconstruções constantes de arranjos.
Mais do que buscar perfeição técnica, o Capsula apostou na espontaneidade e na força emocional das canções. Há humanidade no processo — e isso transparece no resultado final.
Entre o pós-punk, o indie e as angústias da hiperconexão
Musicalmente, o grupo transita entre o pop, pós-punk, dub, indie rock e elementos do chamado “rock adulto”, criando uma sonoridade que mistura peso emocional, texturas atmosféricas e grooves marcantes.
Nas letras, o Capsula mergulha em temas extremamente contemporâneos: ansiedade digital, relações líquidas, desgaste emocional e a sensação constante de hiperconexão. As músicas funcionam quase como retratos urbanos de uma geração exausta pela necessidade permanente de produtividade, presença online e validação instantânea.
“Dopamina” é o primeiro retrato dessa identidade sonora
Com lançamento marcado para 29 de maio, via ONErpm, o single “Dopamina” apresenta ao público a essência criativa do Capsula.
A faixa combina os grooves característicos de Haroldo e Lelo, as guitarras densas e sensoriais de Fernando Americano e a interpretação intensa de Érika Martins. Entre o pop, o rock e nuances de reggae, “Dopamina” transforma a exaustão digital em música, abordando a ansiedade provocada pelo excesso de estímulos e notificações.
Capsula transforma imperfeição em identidade
Em tempos em que grande parte da música parece pensada para alimentar métricas, trends e consumo rápido, o Capsula aposta justamente no contrário: canções feitas para permanecer.
Não se trata de nostalgia ou revivalismo. O projeto nasce como uma reafirmação da música enquanto experiência humana — imperfeita, intensa e viva.
Ouça a música:


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