Cosplay abre portas para oportunidades incríveis

12:37 PM

Moo-chan com cosplay da personagem Asuka do anime Evangelion
Cosplay é muito mais do que um hobby, funciona como um acesso para a autoconfiança e pertencimento. Entenda mais sobre esse mundo com a Moo-chan.

Por: Ingrid Natalie (twitter: @ingridnatalie)

O termo 'cosplay' está sendo compreendido com mais profundidade pelos brasileiros sempre que eventos como Anime Friends e Comic Con Experience finca suas raízes no país. A origem do termo vêm de duas palavras da língua inglesa: "costume" (fantasia) e "roleplay" (interpretação). É um hobby no qual os cosplayers (pessoas que fazem cosplay) podem representar seus personagens favoritos de animes, séries, filmes ou jogos. Contudo, o que parece ser uma simples brincadeira tem a capacidade de abrir portas para objetivos bem maiores.

Maria Luiza Grantaine, mais conhecida como Moo-chan, se sentiu encorajada a aprender a falar japonês, costurar e se formar atriz graças aos animes, mangás e cosplay. Atualmente, a paulistana de 24 anos trabalha como apresentadora do Bunka Pop ao lado de Jack Freitas. O canal aborda a cultura japonesa em geral. Nele podemos ver Moo-chan vestindo cosplays confeccionados por ela mesma. O primeiro cosplay dela foi em 2010 da personagem Sakura, Tsubasa Chronicles, e deste então não parou de fazer outros personagens. Depois de muito esforço e dedicação, ela montou um espaço na casa exclusivo para a costura das roupas. Veja a nossa entrevista com Moo-chan que nos detalhou mais sobre a vida como cosplayer:

FRS: Primeiramente, há quanto tempo você já trabalha como cosplayer e qual foi seu primeiro cosplay?

Moo-chan: Primeiro, muito obrigada pelo convite, fico feliz que muitas pessoas se interessem por cosplay e especificamente pelo trabalho que eu faço no meio enquanto fã.  Eu gostaria de começar esclarecendo que trabalhar como cosplayer é praticamente impossível, gastamos muito fazendo os figurinos e o retorno pode até cobrir o valor da roupa, mas não dá exatamente pra viver disso. São pouquíssimas pessoas que conseguem, mas nunca apenas como cosplayers. Eu faço cosplay por hobby desde 2009 simplesmente porque me divirto interpretando personagens. Hoje em dia sou atriz e apresento o Bunka Pop, programa sobre cultura pop japonesa, e o cosplay me ajudou a trilhar meu caminho, mas não vivo disso. 


Veja a matéria do Bunka Pop explicando sobre cosplay:


FRS: O que te influencia no momento de escolher um personagem para interpretar?

Moo-chan: Eu escolho personagens com os quais me identifico de alguma maneira ou que me inspiram. A historia por trás da aparência, o significado do personagem pra mim e minha vontade de interpretar situações diferentes são o que me movem na escolha.


FRS: Qual cosplay você mais gostou de fazer? 

Moo-chan: Não tenho um favorito, são todos muito especiais pra mim à sua maneira, já que são todos bem diferentes uns dos outros. Não consigo escolher coisas favoritas porque pra mim são igualmente importantes, mas de maneiras diferentes ♡

FRS: Sabemos que você faz seus próprios cosplays, qual o tipo de preparo utilizado na confecção deles? 

Moo-chan: antes de tudo, pesquisa. Eu quero que todos os detalhes estejam de acordo com as referencias, então eu pesquiso muita imagem, muito material, o que ficaria melhor, o que ficaria mais parecido. Depois de pesquisar e saber qual resultado quero alcançar, fica mais fácil fazer!

Moo-chan fazendo respectivamente os cosplays de Utena (Shoujo Kakumei Utena), Kid (Radical Dreamers Nusumenai Houseki) e Kikyou (Inuyasha)
FRS: Você também é uma cosmaker. O que mais te empolga ao iniciar o projeto de outros cosplayers?

Moo-chan: Na verdade eu não faço cosplay pra outras pessoas. Pra mim é algo bem pessoal e importante, então pra eu aceitar fazer algo para terceiros tem que ser algo bem forte. Estilizo peruca e ajudo na confecção de roupas de amigos, mas pra vender mesmo eu só fiz uma vez. A mãe da garotinha não achava em lugar nenhum a peruca e eu fiquei com dó, mas foi tão divertido que to pensando em fazer mais vezes, só pra pessoas mais próximas mesmo. 

FRS: Quais os tipos de materiais você utiliza na construção das roupas, armaduras e etc?

Moo-chan: O que eu mais uso é tecido, não costumo fazer armaduras, mas o que eu fiz do gênero, usei isopor e E.v.a. No geral são coisas bem fáceis de achar, da pra fazer cosplay com garrafa de refrigerante e papelão e deixar bem lindo, só precisa ser criativo e pesquisar bastante ♡

FRS: Perucas podem dar um lindo realce ao cosplay, assim como podem também arruina-lo totalmente. O que você analisa antes de comprar uma peruca?

Moo-chan: Antes de comprar a peruca precisamos analisar o penteado. Tem personagem que tem o cabelo mais volumoso ou menos, com cores especificas, cortes diferentes...então é importante sempre conseguir enxergar qual resultado se quer alcançar. Dá pra ver inclusive como outras pessoas já fizeram, pra se inspirar e procurar a peruca certa! 


FRS: Existem várias competições importantes como YCC e WCS. Muitos cosplayers investem bastante nas roupas. Você acredita que é possível trabalhar full time como cosplayer?

Moo-chan: Essas competições costumam dar mais gastos do que retorno financeiro, as pessoas fazem por amor à representação mesmo, é admirável. É possível viver sim disso, algumas pessoas fazem isso pelo mundo, mas não é acessível à todos. Cosplay é um hobby caro e que demanda dedicação, só quem gosta muito mesmo consegue se manter dessa forma, porque não é nada fácil.

FRS: Atualmente, o conhecimento das pessoas sobre cosplay está bem mais amplo, muitas pessoas já ouviram falar e querem fazer. Porém, na sua opinião, ainda existe preconceito contra cosplayers? 

Moo-chan: Acredito que muita gente sabe o que é, mas tem uma noção idealizada sobre o hobby em si. Cosplay surgiu de uma subcultura que já sofria muito preconceito. Inclusive, a popularização do cosplay trouxe consigo essa superficialidade com relação ao hobby. Muita gente quer fazer, mas acha que encontra tudo 100% pronto e não quer se dar ao trabalho de pesquisar, conhecer e se expressar, tirando o proposito inicial, que era juntar fãs das obras. A partir daí, cada vez mais, dentro do cosplay as pessoas julgam umas as outras num juízo de valor que não pertence a esse grupo. No cosplay não deveria haver preconceito, porque o que deve importar é o carinho pelo personagem, pela obra em si, e não se estamos dentro ou fora de um padrão estético.

FRS: Finalmente, o que você diria para aqueles que querem iniciar a carreira como cosplayer?

Moo-chan: Minha dica é: jamais entrem pro mundo do cosplay querendo receber algo por isso. Conquistar espaço, trabalhar com isso surge naturalmente do fato de você gostar do que faz. É muito desgaste pra algo que você não quer tanto assim e pode gerar uma frustração muito grande. Mas se você ama anime, mangá, jogos e tem interesse em arte, figurino e em conhecer pessoas que gostam da mesma coisa que você, só vem, vai ser uma experiência incrível ♡

Onde ver o trabalho da Moo-chan:
Facebook: https://www.facebook.com/MooChanCosplayDiary/
Bunka Pop: youtube.com/bunkapop - os novos episódios são lançados às segundas e quintas no YouTube e na PlayTv você confere reprises todos os dias às 19h30.
Twitter: https://twitter.com/Kidzastr
Instagram: https://www.instagram.com/kidzastr/


Comic Con Experience

A Comic Con Experience divulgou no dia 21 de julho, a campanha Dia de Cosplayer, com o objetivo de quebrar de paradigmas e levar mais conhecimento sobre a arte do Cosplay no Brasil. No vídeo, Aline Diniz, editora e apresentadora do Omelete, é convidada a vivenciar um dia de Cosplayer pela primeira vez com o auxílio de uma profissional – Giovanna Antonello, que explica a importância desse universo: “A melhor coisa é poder se transformar em alguém que você sempre sonhou ser. Seja no âmbito competitivo, onde você tem que estar o tempo todo em cima dos detalhes e seguir exatamente o personagem, ou no casual, que você pode brincar mais”.

Assista:


A Comic Con Experience, que reuniu 196 mil pessoas em 2016 e bateu o recorde de público em Comic Cons no mundo, terá sua quarta edição entre 7 e 10 de dezembro no São Paulo Expo e espera receber mais de 190 mil visitantes. Os ingressos estão à venda pelo site com preços a partir de R$ 89,99. Para saber mais, acesse: www.ccxp.com.br

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